Sexologia Geral


Sexualidade e Qualidade de vida


O tema a ser exposto é bem pertinente em se tratando de um curso específico sobre Sexualidade humana.  Tentarei abordá-lo, pois do meu ponto de vista, levando em conta a minha experiência pessoal em face aos anos que já carrego de forma positiva e pleno de alegrias.

De início, temos de clarificar o termo Vida que, segundo minha ótica, é aprendizagem constante, é possibilidade de contínuo crescimento e se Viver é a meta, é preciso estar atenta a cada momento que passa, para que o nosso tempo se torne a forma mais dinâmica de se aprender a viver.

Não basta durar... É preciso Viver! Durar é estar dentro da vida, enquanto Viver é ter a vida dentro de si...

Disto se conclui que qualquer que seja a nossa idade cronológica, nossa vida não pode ser estática, em processo de extinção, mas ser algo surpreendente, cuja beleza e descobertas nos empolguem e encante...

Assim sendo, podemos concluir que encontraremos qualidade para nossa vida tanto no alvorecer da infância e adolescência, quanto na maturidade e senectude.

Sófocles já disse que “Deve-se esperar até o anoitecer para ver como o dia foi maravilhoso.”

Isto implica dizer que de modo geral, todos os nossos dias serão consequência dos dias que passaram. E a Sexualidade está incluída neste contexto. E, embora muitos ainda teimem em acreditar que a sexualidade só mereça ser vivenciada como fator reprodutivo, como grupo esclarecido, não podemos ignorar a nítida diferença entre o campo sexual e o reprodutivo.  Hoje em dia, ninguém duvida que haja reprodução sem sexo, como é comum sexo sem reprodução. A reprodução portanto, passa a ser muitas vezes uma ocorrência de risco.

Outro pensamento que corrobora a crença sociocultural de que na maturidade a sexualidade tende a se exaurir, é o conceito romântico de que a atração erótica está ligada, pura e simplesmente à beleza física. Quando essa fica ameaçada, é a hora de dar “Adeus ao Sexo.” Isto servirá de pretexto, muitas vezes para inapetências justificadas e baseadas em uma falsa ciência, ou para um retrocesso patológico que culmina em depressões e/ou doenças psicossomáticas. Se estivermos atentos para uma proposta de luta e crescimento constante, entenderemos que isso só ocorrerá se pararmos de amadurecer. Pelo contrário poderemos chegar a um momento de atingirmos uma maior sensualidade, tornando-nos donos de um erotismo mais difuso, que incrementará a sensibilidade e afastará o fantasma da regressão ou dos fracassos.

Há, certamente, no declive de nossas vidas uma encruzilhada de sentimentos, que podem ou não, acelerar o processo de envelhecimento. E porque não, partirmos para o dinamismo da mudança? Como então usufruir de maneira prazerosa a qualidade de nossas vidas, em torno do nosso potencial erótico?

Proponho fazer uma referência a três tópicos que a psicóloga Magdalena Léa, considera de primordial importância e com os quais concordamos plenamente. É o desafio A.A.S. Onde o primeiro A - significa Aparência, o segundo A – significa Atividade e o S - significa Sexualidade.

Vejamos:

Aparência - Que pode significar isso? Ousamos dizer que é a forma básica e primária da manifestação da autoestima, uma vez que todas nós temos o dever e o direito de se cuidar. O descaso por si mesmo traduz o desamor e desprezo pessoal. De maneira prática, podemos resumir esses cuidados em: externos e internos. Cuidados externos implica cuidar dos cabelos, do vestuário, da maquilagem e até de um bisturi reparador, se houver necessidade... Com relação aos cuidados internos, nos referimos a idas ao dentista, ao check-up periódico, etc.

É evidente que, nem sempre poderemos recuperar o que foi perdido, mas poderemos prolongar a vida do que está vivo.

 Todos esses itens, por certo, estão ao nosso alcance, sem exceção de sexo ou idade. 

 E sobre o tópico- Atividades? Neste item incluímos atividades intelectuais, físicas e espirituais... É evidente que as atividades de lazer fazem parte deste tópico, pois consideramos uma forma concreta de driblarmos tensões.

 Quando falamos em atividades, de um modo geral, ninguém desconhece que ter um trabalho ou qualquer outra atividade pela qual nos sintamos úteis e responsáveis, é de imensa valia para qualquer pessoa. Homens ou mulheres, com igual importância, necessitam por à prova suas capacidades, como certeza de que está vivo e atuante. Aqui aproveitamos para ampliar o conceito de atividades, incluindo caminhadas, exercícios de yoga ou academias de ginásticas e até mesmo aulas de dança ou outro qualquer movimento corporal. É um não ao sedentarismo e à imobilidade. Mexa-se é o lema! Ter atividade é um pré-requisito para o terceiro tópico.

Sexualidade - Sabemos que o vigor sexual pressupõe de certa forma o vigor físico. Mas, vigor sexual não se adquire com afrodisíacos. Por sinal corre paralelo, em toda América Latina, o poder maravilhoso das pimentas. E como o que arde - cura, ela é também indicada por alguns, para a cura da disfunção erétil e das anorgasmias. Aconselhamos, contudo, que continuem usando-a como tempero e não como emplasto local. Posso afirmar porem, que ainda nada se inventou que tivesse o dom miraculoso de devolver o vigor sexual, quando esse se esvai, apesar de todas as tentativas dos Viagra e afins.  Para Kinsey, o melhor e mais poderoso afrodisíaco é a regularidade das relações sexuais. De nossa parte, nos atrevemos a acrescentar que este afrodisíaco adquire um valor insuperável quando ocorre num contexto amoroso. Outro especialista no assunto afirma que “A maturidade pode ser a época de se fazer do sexo uma Obra de Arte”.

Estar a par de algumas modificações que ocorre na fisiologia sexual é obrigatório para todo profissional de saúde.

Saber como contorná-las também compete ao aprendizado de cada um. Contudo podemos afirmar que a postura relaxada e cúmplice dos parceiros, irá compensar qualquer déficit que possa vir a ocorrer.

Vale acrescentar que, mesmo quando a vida negue a presença de um parceiro ou parceira, ainda se pode ter formas substitutivas de auto amor, justas e louváveis. Não há nada de errado em se acariciar, em se tocar, a não ser por um sentimento de culpa, imbuído de uma falsa moral.

Lembremo-nos que somos sexuados até o último suspiro, mas não passemos a vida a suspirar... Tornemo-nos saudáveis, cuidadosos e vaidosos, num AQUI E AGORA, plenos de vida. Não parem no caminho, nem regridam em busca do tempo perdido. Assim sendo, todos os nossos ganhos serão sempre um apanágio de quem não desistiu de amadurecer, de pautar seus dias na busca constante de uma Qualidade de VidaÂncora rica e produtiva.


BIBLIOGRAFIA:


Cavalcanti, R. e Cavalcanti, M. – Tratamento Clínico das Inadequações Sexuais, SP, Editora Roca, 1992

Lea, Magdalena – Quem tem medo de envelhecer, RJ, Editora Record, 1981

Solomon, Robert C. – O Amor – Reinventando o romance em nossos dias, SP, Editora Saraiva, 1992.